Câmara adia votação do novo teto do MEI: quando sai a decisão e o que pode mudar
A votação sobre o aumento do limite de faturamento do MEI foi adiada para o segundo semestre de 2026. O governo pediu mais tempo para estudar os impactos fiscais. Saiba o que está em discussão e como isso pode afetar seu negócio.

Câmara adia votação do novo teto do MEI: quando sai a decisão e o que pode mudar
Se você é MEI e acompanha as notícias sobre mudanças na legislação, deve ter ouvido falar no aumento do teto de faturamento. Pois bem: a votação que vai decidir isso foi adiada. Antes ela estava marcada para o primeiro semestre de 2026, mas o governo pediu mais tempo para estudar os números. Entenda o que está em jogo e o que pode mudar na sua vida como microempreendedor.
Por que a votação foi adiada?
O governo federal pediu aproximadamente um mês a mais para fazer contas sobre os impactos fiscais da proposta. Em resumo: quando você aumenta o teto de faturamento do MEI, muda também a arrecadação de impostos. Por isso é preciso calcular bem os efeitos antes de colocar a lei em prática.
O projeto que está sendo discutido é o PLP 108/2021, que não é só sobre MEI, mas também sobre as empresas enquadradas no Simples Nacional (Microempresas, Empresas de Pequeno Porte e MEI Caminhoneiro). Como envolve vários segmentos, o consenso fica mais difícil.
Qual é o novo teto sendo discutido?
Aqui está o ponto que interessa ao seu bolso. Existem duas propostas em discussão:
Proposta 1 (do relator Jorge Goetten):
- MEI: sai de R$ 81 mil para R$ 134 mil por ano
- MEI Caminhoneiro: sai de R$ 251 mil para R$ 321 mil
- Microempresa: sai de R$ 360 mil para R$ 800 mil
- EPP: sai de R$ 4,8 milhões para R$ 8 milhões
Proposta 2 (do governo, com reajuste escalonado):
- MEI: R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028
- Além disso, você poderia contratar até dois empregados
Os valores estão defasados porque a inflação comeu os limites ao longo dos anos. Isso força muitos MEI a sair do regime quando crescem — mesmo que o crescimento seja só na inflação, sem ganho real.
Outras mudanças em estudo
Além do aumento do teto, a proposta está mexendo em mais coisas:
Atualização automática: Um mecanismo que ajusta os limites de faturamento todo ano com base na inflação. Isso evita que precise votação de novo projeto de lei a cada mudança.
Exclusão por inadimplência: O prazo para ser excluído do MEI por não pagar impostos pode cair de 12 meses para 3 meses. Isso é para estimular que o MEI regularize os débitos mais rápido.
Sublimite do Simples: O governo quer manter o sublimite de R$ 3,6 milhões para ICMS e ISS. Isso é porque estados e municípios têm medo de perder arrecadação com o aumento dos limites. Pode ser que fique facultativo, ou seja, cada estado decide se aplica ou não.
Quando sai a decisão?
A votação está marcada para depois do recesso parlamentar, ou seja, no segundo semestre de 2026. O governo deve apresentar os estudos técnicos nas próximas semanas, aí o cronograma volta ao normal.
O que o MEI deve fazer agora
Não mude sua estratégia de faturamento ainda. Enquanto não há lei, o teto continua em R$ 81 mil. Ultrapassar isso traz problemas.
Acompanhe as notícias. Quando a votação acontecer, será importante saber qual proposta saiu vencedora. Os números são bem diferentes (R$ 134 mil vs. R$ 140 mil faz diferença).
Organize sua documentação. Se você está perto do limite atual, tenha seus comprovantes de faturamento em dia. Quando a lei mudar, pode haver análise retroativa ou ajustes.
Converse com seu contador. Se você cresceu e está pensando em formalizar mais funcionários, seu contador pode já estar preparando cenários para quando a lei mudar.
O aumento do teto é uma vitória que pequenos negócios pediam há anos. Mas paciência: a máquina legislativa anda devagar.
Fonte: contabeis.com.br
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