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Limite do MEI sobe para R$ 140 mil em 2028: entenda o que muda pra você

O governo propõe aumentar o teto de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil em 2028 e permitir até 2 empregados. Mas especialistas alertam: crescer não é só ganhar mais, é também estar preparado para mudanças tributárias e trabalhistas.

14 de julho de 2026 Equipe ContabilizeMEI
Limite do MEI sobe para R$ 140 mil em 2028: entenda o que muda pra você

Limite do MEI sobe para R$ 140 mil em 2028: entenda o que muda pra você

O governo federal quer aumentar bastante o limite de faturamento do MEI. Depois de quase 8 anos sem reajuste, a proposta prevê elevar o teto de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e depois para R$ 140 mil em 2028. Além disso, você poderia contratar até 2 empregados, em vez de apenas 1.

Parece ótimo, né? E realmente é um avanço — porque com a inflação comendo nas margens, muita gente tá chegando perto do limite sem estar preparada pra migrar. Mas aí surge a questão incômoda: crescer é fácil, gerenciar o crescimento é difícil.

Por que agora? A inflação e o limite desatualizado

O teto de R$ 81 mil não muda desde 2018. Nesse tempo, os custos subiram muito: aluguel, fornecedores, energia, tudo ficou mais caro. Resultado: mais MEIs estão batendo o limite, não porque estão ficando ricos, mas porque as despesas cresceram naturalmente.

Os números mostram que 78% de todas as empresas abertas no Brasil em 2026 foram MEIs. São quase 1,6 milhão de novos registros nos primeiros meses do ano. Essa turma precisa de espaço pra respirar sem ser obrigada a virar microempresa de uma hora pra outra.

A transição assusta mais do que o limite

Aqui tá o nó da questão: permitir ganhar mais é uma coisa. Facilitar a vida de quem sai do MEI pra virar microempresa é outra bem diferente.

Quando você ultrapassa o teto (ou vai ultrapassar), você não continua como MEI. Precisa mudar pra Microempresa ou outra categoria. E aí tudo muda:

  • Impostos ficam mais complexos. Sai do Simples Nacional pra um regime que exige mais cálculos e controle.
  • Obrigações trabalhistas aumentam. Contratar deixa de ser tão simples — surgem mais custos, mais documentação.
  • Você vira alvo de fiscalização mais intensa. Uma microempresa tem mais olhos do governo em cima.
  • Custos administrativos sobem. Precisa de contabilista mais especializado, sistemas mais robustos.

A preocupação da Confederação Nacional de Jovens Empresários (CONAJE) é exatamente isso: "O ponto não é apenas permitir que o MEI fature mais. O desafio é garantir que ele consiga crescer sem ser empurrado, de uma hora para outra, para uma estrutura que ainda não tem condição de sustentar."

Outra preocupação: o Simples Nacional também precisa se mexer

Parlamentares estão alertando que se apenas o MEI mudar, vai continuar sendo um degrau muito alto pra quem cresce. Porque a microempresa também tem um limite (hoje em torno de R$ 360 mil), e depois vem a empresa de pequeno porte.

Se o governo só mexe no teto do MEI, você pode crescer de R$ 81 mil pra R$ 140 mil sem drama. Mas se depois cair para fora do Simples Nacional como um todo, aí sim é baque.

O que o MEI deve fazer agora

1. Não se apressa, mas se prepara. A lei ainda precisa passar na Câmara e no Senado. Enquanto isso, comece a organizar seus números. Se você tá perto dos R$ 81 mil, já pense em como vai ser estar em R$ 100 mil, R$ 120 mil. Aumentam os custos? Aumenta a margem? Você consegue contratar?

2. Converse com seu contador sobre a transição. Se (quando) você crescer, vai precisar migrar. Melhor já saber quanto vai custar, quais impostos mudam, qual é o regime mais vantajoso pra seu negócio. Não deixa pra descobrir quando você já tá fora do limite.

3. Se você tá considerando contratar, calcule bem. O novo limite permite 2 empregados. Mas contrata porque realmente precisa, não porque "agora pode". Funcionário é custo fixo — sem faturamento garantido, vira dor de cabeça.

4. Acompanhe o trâmite da lei. Assine newsletters, siga portais contábeis, converse com associações da sua categoria. Quando virar lei, você quer estar antenado no que muda — e quando começa a valer.

Fonte: contabeis.com.br

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